O chinês Kar Wai Wong filma os melhores ângulos de quem sofre. Ele é mestre em relatar o lado B das pessoas. Há sempre o abismo, há sempre o poço e os personagens de My Blueberry Nights estão constantemente num embate com a impossibilidade de realização do desejo.

Diretor-mestre de cores quentes e saturadas, e lá vai os nossos sentimentos seguindo as mesmas sensações. Mas é um olhar estrangeiro, sem registros de tomadas turísticas, no filme a música é a casa do diretor (em registro numa língua estrangeira).

Todos os personagens estão às voltas com uma inquietude voltada à noção do pertencimento. Arnie quer pertencer à Sue, Leslie quer pertencer ao pai, mas seu ceticismo a impede, Lizzie parte em busca do que é e em direção ao que cabe ser, segue o seu desejo para também ser reconhecida pelo que experimenta – do gosto amargo da morte, ao doce sabor da aproximação da torta de mirtilo de Elizabeth. Norah Jones é a estrangeira do filme o que só contribui para a autenticidade do filme.

O que reside à margem do olhar? Periferia, centro, nativo, estrangeiro, circunstâncias permutáveis de uma condição comum – a do humano, a do amor – escolhe o beijo e Elizabeth torna-se sujeito e cidadã do seu afeto após cruzar pelo seu submundo – real, simbólico – particular.

O que é mais lindo, lindo nos filmes do chinês é que a tranformação em seus filmes é possível, basta olhar para ela.

Mara Toledo

8 Comentários

  1. fiquei na dúvida: posto em artigo ou página?

  2. Ai, eu postei assim, se não for assim, a gente edita e faz diferente…
    Beijos.

  3. Norah é a estrangeira inclusive como atriz né? E Kar Wai um estrangeiro na América, em Hollywood.

    O pertencimento passa, no caso da personagem de Norah, por não pertencer a um lugar.

  4. Acho Henrique que a Norah foi escolhida por entre outros tantos motivos (segundo o diretor um dos mais fortes, é o fato de ela ter uma voz linda) é ela não ser atriz.
    E acho que no caso de seu personagem é querer pertencer, mas querer primiramente se conhecer (porque só assim podemos pertencer à algo ou alguem).

  5. Ela se perde para se achar.

  6. Não entendi porque não saiu meu nome no comentário anterior. rs

  7. Pra mim fez mto sentido o fato de ter tantos atores estrangeiros. Faz com que cada um possa em algum momento se identificar com alguém no filme.
    Sem falar que fica mais fácil para contar a história, sem muita necessidade de remeter a passados, a traumas. Vale o presente e o futuro. É uma boa perspectiva.
    E a moral do filme no final eh a eterna busca: ate pq o final nao eh um encontro em si.
    É uma pausa para um novo recomeço.
    E a vida nao eh assim? ;)
    Tânia

  8. PS. eu nao sei como postar e deixar o meu nome, rs. Entao fica cmo openyoureyes mesmo, jejeje.


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