( Já no trailer, “How often do you find the right person? … ONCE”. )
Eis que então as cores quentes e belas transformam meu dia. My Blueberry Nights. Um desses filmes que marcam. Uma sensação íntima com cada personagem, com cada estória. Rachel Weisz me surpreendeu. Nunca a admirei, a achava uma boa atriz e c’est tout. Mas na pele de Sue Lynne, a mulher dá um show. E todas aquelas nossas certezas ficam tão incertas diante do que é fatal. E morremos. Vivas. Natalie Portman sempre sempre sempre incrível. E linda. E a cada personagem, mais ela nos convence parecer ser feito pra ela. E só pra ela. Ninguém a faria melhor. Norah Jones estréia como atriz. E banca. Com propriedade. Tenho aprendido aos poucos a gostar do Jude Law. E o Jeremy contribuiu ainda mais pra isso. Na medida certa. Com toda ternura. Até Cat Power dá o ar da graça como Katya. Bonita. David Strathairn nos presenteia com um Arnie sofrido, que luta, a seu modo, mas deixa de apostar suas fichas quando a porta se fecha. Muitas portas. Todas se fecham e abrem outras paisagens. E talvez seja exatamente isso. Fechar portas, seguir caminhos diferentes, se descobrir e voltar para abrir outras novas. A trilha sonora completou meu encantamento. E me fez sair do cinema transformada. Por pessoas e por suas singelas e intensas emoções.
D.
6 Comentários
Era pra gente debater né?
Sobre o fechar portas, lembro da estória das chaves do bar do Jeremy. Ele fica num único lugar né? É como se ele deixasse a porta aberta para que a persoagem de Norah voltasse. Norah precisou ter uma porta fechada e se perder por aí para vir se achar no bar das chaves.
No início, o pote cheio de chaves me doeu. Porque parecia remeter à porta fechada, ao adeus, ao que se foi. Mas umas portas se fecham e abrem-se outras. E sempre há coisas incríveis atrás de cada porta, basta a gente estar preparado e com o olhar atento.
As portas estavam fechadas e o Jeremy mantinha as chaves. Para,caso alguém voltasse para buscar e ele espera alguém voltar também. E ela volta (Norah – esqueci o nome da personagem agora). Acho que para ele portas fechadas podem ser reabertas. Se bem que ex-namorada dele foi embora. Norah acaba sendo uma nova porta, nova possibilidade.
Não entendi porque não saiu meu nome no comentário anterior. rs
O Arnie foi o personagem que mais me marcou. Fiquei bastante comovida com ele ter desistido.
A personagem da Norah foi para mim, apenas o fio condutor narrativo.
Eu fiz uma outra leitura. Primeiro me incomodou o Jude Law ficar lá parado no bar, enquanto tanta gente passava por lá, tanta coisa acontecia. Me incomodou que ele ficasse somente assistindo a vida dos outros. E quando ele dá o beijo roubado, mais uma vez mostra uma certa passividade dele diante da vida, de nao ter a coragem necessária para assumir os riscos. Para mim ele fugia da vida, sem precisar sair do lugar.
Depois aparece a Nathalie Portman, que também foge da vida (no caso, do pai) estando sempre em um lugar diferente.
Acho que isso reflete um pouco os conflitos que todos temos: às vezes é tao mais fácil fugir…
E a viagem que a Norah faz é ótima, é o que dá o sabor no filme. De uma desilusao, ela enfim cria coragem para seguir adiante. E isso transforma a vida dela, faz com que ela tenha consciência maior de si mesma, do que ela quer na vida.
E aí ela volta.
Só que para mim o encontro dos dois foi muito mais um encontro entre dois solitários, entre duas pessoas que se viam sozinhos, do que um encontro entre “duas almas gêmeas”.
Ele nao eh o grande amor da vida dela. E acho que nem ela da dele.
E como no final nada fica muito claro, me agrada mais pensar que eles serao bons amigos, porque nao senti tanto romance no ar.